Carreira
Mais de 40 anos vivendo futebol

O Botafogo vai jogar no Maracanã. O time infantil está na preliminar e Vanderlei no banco de reservas. O moleque magrelo perpetra então um momento que se tornaria rotina em sua vida: tirar uma foto usando como pano de fundo a arquibancada de um estádio lotado. Mal sabia Vanderlei que aquele menino se transformaria em um dos técnicos mais renovados do futebol mundial.

A passagem vitoriosa como amador no Botafogo, onde foi tri-campeão infantil em 1968/69/70 lhe rendeu um convite para jogar no Flamengo, seu clube de infância. Ficou na Gávea de 1971 a 1978, sendo contemporâneo do craque Júnior. Na fase que vivia Júnior, amigo particular de Vanderlei, era difícil arranjar espaço. Mesmo assim, Vanderlei jogou, foi campeão e fez até gol.

Pelo Flamengo, conquistou o bi-campeonato carioca de juniores em 1972/73, a Taça Guanabara, o Carioca e o Torneio do Povo em 1972 e o Carioca de 1974.
Entre 1973 e 1974, serviu a Seleção Brasileira de Juniores e conquistou por duas vezes o Torneio de Cannes, na França, sendo o capitão da equipe.

Em 1978, ávido por ser titular, foi para o Internacional de Porto Alegre aonde atuou ao lado de nomes inesquecíveis para a torcida colorada como Carpegiani, Figueroa, Falcão, Batista e tantos outros.

Em 1979, voltou ao Botafogo do Rio, onde jogou até 1980, quando uma contusão no joelho esquerdo o afastou dos campos. Sem poder jogar, Luxemburgo foi estudar e tornou-se profissional de educação física. Começou sua carreira fora das quatro linhas ainda em 1980, quando foi ser Assistente Técnico de Antonio Lopes no Olaria-RJ. Luxemburgo ainda foi assistente de Antonio Lopes no América-RJ, em 1981, e no Vasco da Gama, em 1981 e 1982.

Em janeiro de 1983, iniciou sua carreira solo como técnico no Campo Grande-RJ. Ainda em 1983, foi para o Espírito Santo dirigir o Rio Branco de Vitória, conquistando seu primeiro título como técnico.

Em 1984, dirigiu o Friburguense-RJ, mas no meio do ano transferiu-se para o exterior pela primeira vez, para ser assistente técnico de Joubert Luis Meira no Al Ittibad, de Jeddah, na Arábia Saudita.

Voltou ao Brasil em 1985 para comandar o Democrata de Governador Valadares-MG.
Em 1986, foi convidado para dirigir a equipe júnior do Fluminense e teve a oportunidade de comandar o time profissional em uma excursão à Europa.

Em 1987, voltou a treinar o América-RJ, mas no mesmo ano retornou para a Arábia Saudita novamente para trabalhar como assistente técnico de Joubert Luis Meira, agora no Al Shababb, de Ryad.

Ao regressar pata o Brasil em outubro de 1988, foi convidado pela família Chedid para dirigir o Bragantino-SP. Pela primeira vez Vanderlei pôde montar sua própria comissão técnica e definir os jogadores com quem iria trabalhar. Seu projeto inovador e arrojado deu certo: o Bragantino sagrou-se Campeão Brasileiro da Série B, em 1989, e Campeão Paulista em 1990.

A notoriedade do feito da equipe de Bragança Paulista foi além dos gramados brasileiros e Vanderlei Luxemburgo deu um passo decisivo em sua carreira como técnico de futebol. Durante a temporada, foi convidado para dirigir o São Paulo, mas acaba recusando por considerar não ser a hora certa.

No início de 1991, surgiu um convite para dirigir o Flamengo, de onde saiu ainda jovem, e Luxemburgo retornou à Gávea, agora como seu treinador. Lá ele lançou diversos jogadores das categorias de base, como Júnior Baiano, Nélio, Marcelinho Carioca, Djalminha, Paulo Nunes, Zinho, Marquinhos, entre outros.

Em agosto de 1991, deixou o Flamengo para comandar o Guarani-SP. Durante seu trabalho em Campinas foi sondado por Ricardo Teixeira para ser técnico da Seleção Brasileira, mas não aceitou considerando-se pouco amadurecido para tanta responsabilidade.

Em março de 1992, foi para a Ponte Preta e fica um ano dirigindo a "Macaca". Em abril de 1993, foi convidado para dirigir o maior projeto empresa-futebol já realizado no país, o consórcio Palmeiras-Parmalat, que monta um super time de futebol. Comandando a "nova Academia", Vanderlei liderou o Verdão ao fim da fila de 17 anos sem títulos com a conquista do Paulistão 1993, justamente sobre o maior rival palmeirense, o Corinthians.

Ainda em 1993, conquistou o Rio-São Paulo, também contra o Corinthians. Para completar, fechou a coroa de três títulos com o Campeonato Brasileiro de 1993. Em 1994, repetiu o sucesso, conquistando o bi-paulista e bi-brasileiro pelo Palmeiras.

Vanderlei acaba deixando o Parque Antártica em 1995, indo mais uma vez para o Flamengo, sendo campeão da Taça Guanabara daquele ano. Ainda em 1995, Luxemburgo vai dirigir o Paraná Clube.

No ano seguinte, Luxemburgo é chamado novamente para comandar o Palmeiras e conquista mais dois títulos, a copa Euro-América e o Paulistão, que ficou famoso pelo ataque arrasador palmeirense, que marcou mais 100 gols.

Em 1997, dirigiu pela primeira vez o Santos Futebol Clube e já deixou a sua marca na Vila, fazendo um trabalho de base que colocou o Santos rumo a um futuro vitorioso. Além disso, conquistou o Rio-São Paulo 1997, 13 anos depois do último título conquistado pelo Peixe.

Em 1998, transferiu-se para o Corinthians, concretizando um antigo sonho dos dirigentes e torcedores do Timão. Logo no primeiro semestre de trabalho, levou o Corinthians ao vice-campeonato paulista com apenas uma derrota em todo o certame. No segundo semestre, conquistou o título do Campeonato Brasileiro.

Em agosto de 1998, Luxemburgo foi procurado pelo Presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e recebeu o convite para substituir Zagallo no comando da Seleção Brasileira.

O convite ia ao encontro das pesquisas nacionais, que indicaram o nome de Luxemburgo como o preferido para o cargo.

Comandando a Seleção, Luxemburgo conquistou a Copa América de 1998 e o Pré-Olímpico de 2000, mas acabou não conseguindo trazer a medalha de ouro inédita para o Brasil, sua maior decepção no futebol.

Luxemburgo voltou para o Corinthians em 2001 e naquele ano somou mais um título paulista na sua lista de conquistas. Em 2002, foi para o Palmeiras, mas não teve o mesmo sucesso de suas passagens anteriores pelo Verdão e acabou indo para o Cruzeiro no mesmo ano.

Na equipe mineira, Luxemburgo fez história. Montou um time que jogava por música e que tinha como maestro dentro de campo o craque Alex. Em 2003, essa equipe conquistou a tríplice coroa – Campeonato Mineiro, Copa do Brasil e o inédito Campeonato Brasileiro.

Em 2004, Luxemburgo voltou à Vila Belmiro para comandar o Santos na conquista de mais um Campeonato Brasileiro.

Em 2005, assumiu o comando dos "galáticos" do Real Madrid, colocando-se definitivamente no cenário dos principais técnicos do futebol mundial. Obteve uma performance excelente conquistando em um campeonato hipotético muitos mais pontos que o rival Barcelona.

Em 2006, mais uma vez Luxemburgo foi comandar o Santos e montou a equipe que conquistou o Campeonato Paulista, um título que o alvinegro da Vila Belmiro não conquistava desde 1984. Permaneceu no Peixe em 2007 e liderou o time ao Bicampeonato Paulista, algo que não acontecia no clube desde os tempos de Pelé. Terminou o Campeonato Brasileiro na segunda colocação, classificando a equipe para a Taça Libertadores da América.

Em 2008 foi contratado pelo Palmeiras, chegando a sua quarta passagem no clube. Logo de cara sagrou-se Campeão Paulista, título que o Verdão não conquistava desde 1996, conquista que aconteceu sob o comando de Luxemburgo. O Paulistão 2008 fez do técnico Tricampeão Paulista (2006, 2007 e 2008) e também o colocou no patamar de 8 vezes Campeão Paulista, recorde difícil de ser alcançado. Terminou o ano classificando o Palmeiras para a disputa da Taça Libertadores da América do ano seguinte.

Em 2009 foi demitido do Palmeiras após decisão unilateral do presidente do clube. Luxemburgo havia chegado às semifinais do Paulista, quartas-de-final da Libertadores e estava em quinto lugar no início do Campeonato Brasileiro. Voltou ao Santos a pedido do presidente Marcelo Teixeira para afastar o Alvinegro Praiano do fantasma do rebaixamento. No clube da Vila Belmiro foi o grande responsável pelo encaminhamento das carreiras das revelações Neymar e Paulo Henrique Ganso, que ganharam espaço em sua equipe e fortalecimento físico.

Em 2010 voltou a Minas Gerais, mas desta vez para comandar o Atlético. No primeiro semestre de trabalho chegou ao título do Campeonato Mineiro, quebrando uma hegemonia do Cruzeiro. O segundo semestre no Galo acabou não sendo tão bom quanto o primeiro e após eliminação nas quartas-de-final da Copa do Brasil e resultados não esperados no Campeonato Brasileiro, acabou sendo demitido do cargo.

Ainda em 2010 foi contratado pela presidente Patrícia Amorim para comandar novamente o Flamengo. O Rubro Negro estava mal no Brasileirão e coube a Vanderlei Luxemburgo o trabalho de afastar a equipe carioca da zona de rebaixamento e já planejar a Temporada de 2011.

O primeiro semestre de 2011 no Flamengo está melhor que o planejado. Após conquistar as Taças Guanabara e Rio de forma invicta, tornou-se Campeão Carioca invicto. O título é o primeiro carioca conquistado pelo treinador. Foi desligado da função de técnico do Rubro Negro em janeiro de 2012.

No dia 23 fevereiro de 2012 o técnico Vanderlei Luxemburgo foi apresentado oficialmente como novo treinador do Grêmio. Será a primeira vez em sua carreira que o técnico mais vitorioso em disputas do Campeonato Brasileiro (5 títulos) comandará uma equipe do Rio Grande do Sul.

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